Notícias | Eutanásia: «A grande luta é pela humanização e pelo respeito da vida até ao fim» – Bispo de Vila Real

Notícia e foto recolhidas da Agência Ecclesia

D. António Augusto Azevedo considera que eutanásia pode aparecer «envolvida em nomes muito bonitos» mas «é uma solução errada»

O bispo de Vila Real afirmou que a eutanásia “é uma cedência” a uma “lógica mais utilitarista e mais comodista” e acredita que “a grande luta é pela humanização e pelo respeito da vida da pessoa até ao fim”.

“A sociedade de hoje confronta-se muito com o mistério da morte e do sofrimento. E, muitas vezes, esquecendo Deus não encontra respostas, naturalmente que tem de afastar, de esconder, esses dramas. A problemática da eutanásia culturalmente tem muito essa génese”, disse D. António Augusto Azevedo, em declarações à Agência ECCLESIA.

O bispo de Vila Real realçou que se perde “o sentido da morte” porque não se acredita em “nada mais” e perde-se “o sentido do sofrimento porque aparece como algo inexplicável”.

“A eutanásia é uma cedência a essa lógica mais utilitarista e mais comodista, acredito que a grande luta é pela humanização e pelo respeito da vida da pessoa ate ao fim”, sublinhou.

Os deputados portugueses vão discutir e votar a legalização da eutanásia de quatro projetos de lei – apresentados pelo PS, Bloco de Esquerda (BE), PAN e Os Verdes (PEV) –, no próximo dia 20, na Assembleia da República.

Segundo o bispo de Vila Real, a eutanásia pode aparecer como uma resposta “muito utilitária, muito prática, envolvida em nomes muito bonitos” mas, na pratica, “é o caminho errado” no sentido do que deseja, espera e acredita que “é o aprofundar de modalidades, de cuidados – cuidados paliativos -, de acompanhamento próximo” e ajuda aos vários níveis, desde a família, das instituições, do serviço publico de saúde e dos hospitais.

Neste contexto, D. António Augusto Azevedo assinala que a medicina “tem, hoje, meios e formas de atenuar bastante o sofrimento” e frisa que é necessário “apostar e investir” nos cuidados mais adequados a cada situação, e para além dos meios técnicos, investir também “do ponto de vista humano”.

“Temos mais tempo, modalidades mais organizadas também de acompanhamento dos doentes, eles estando sem sofrimento ou com sofrimento atenuado, e sentindo essa proximidade de tantos à sua volta, da família, e pessoas que não os abandonam que isso é que humaniza a vida e na sua fase final que é a morte”, desenvolveu.

D. António Augusto Azevedo destaca que “é muito significativo” que a classe médica, na maioria dos seus responsáveis, “não valida” a opção pela eutanásia que “é no fundo uma derrota da medicina”, porque a essência da medicina “é lutar pela vida”, e considera também que é “uma certa derrota da própria ética”, porque “é o passar uma linha vermelha”.

“Quando vamos cedendo a modalidades em que é permitido tirar a vida ou desvalorizá-la estamos a passar uma linha vermelha e, quando se passam linhas vermelhas, nunca sabemos onde vamos parar. É esse temor que tenho, creio que este é um passo que não é o mais correto”, desenvolveu.

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) manifestou o seu apoio à realização de um referendo contra a despenalização da eutanásia em Portugal e propõe aos deputados na Assembleia da República uma aposta nos “cuidados paliativos”.

Em 2016, a CEP publicou a Nota Pastoral ‘Eutanásia: o que está em causa? Contributos para um diálogo sereno e humanizador’, na qual os bispos católicos afirmam que “nunca é absolutamente seguro que se respeita a vontade autêntica de uma pessoa que pede a eutanásia”.

LFS/CB/PR

Foto: Agência Ecclesia/MC