Modos de interação entre ciência e religião | Sexto passo: zona de desconforto

Modos de interação entre ciência e religião

Sexto passo: zona de desconforto

Miguel Oliveira Panão

Blog & Autor

“… a principal linha de separação (…) no mundo ocidental passa, hoje, não por entre os crentes e os descrentes, mas entre os que buscam e os que se acomodam.” (Adaptado de Tomáš Halík e Anselm Grün, “O Abandono de Deus”, Paulinas, 2016)

“Quem é Deus?” – pergunta cuja resposta une crentes e descrentes – “Não sei.”

Dúvida – palavra que une crentes e descrentes.

Procura – atitude que une crentes e descrentes.

Há muito que une crentes e descrentes que acabam por caminhar juntos em muitas partes do caminho de descoberta da Realidade-que-tudo-determina.

A linha que separa não é a crença ou a descrença, mas a ousadia.

Aqueles que dão passos no desconhecido e se aventuram nas penumbras da Verdade, faça chuva ou sol, frio ou calor, na provação ou escassez de recursos, um dia verão a Luz diante dos seus olhos.

Os que se acomodam às suas verdades, ao seu modo de estar na vida e pensar, vivem com dois pepinos nos olhos, sentados num sofá ao sabor de radiação ultra-violeta para um bronzear artificial, e acabam por nunca experimentar a potência inerente à realidade que dentro de si quer brotar.

Não é fácil respirar pela primeira vez neste mundo. É preciso o choro para dar alegria a tantos que aguardam a nossa chegada.

Não é fácil para um bebé dar os primeiros passos, mas se não se arriscar a cair, tarde andará.

Não é fácil ler ou escrever as primeiras palavras, mas se a mão não doer, privamos o mundo da criatividade dentro de nós que pode manifestar-se.

O sexto passo no caminho da descoberta da Realidade-que-tudo-determina é o de não nos ficarmos pelas perguntas resilientes, mas sair da zona de conforto em busca das respostas. Não deixa de ser curioso que apenas as encontraremos na vida que tem mais imaginação do que os nossos sonhos.