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Sétimo passo: superar a inimiga da verdade

Miguel Oliveira Panão

Blog & Autor

“… talvez Deus goste mais de habitar na paixão do coração do que nas certezas da razão.” (Adaptado de Tomáš Halík e Anselm Grün, “O Abandono de Deus”, Paulinas, 2016)

Pensamos que a inimiga da verdade é a dúvida, mas, surpreendentemente, é a certeza.

Há vários modos de encarar as certezas. Eu tenho a certeza que se saltar da prancha de uma piscina cairei na água. Mas tudo o que diz respeito a Deus, a Ele como a Verdade, a Ele como a Realidade-que-tudo-determina, que certezas posso ter?

Ainda, em relação às certezas obtidas pela razão, que confiança podemos ter se a razão está condicionada pelos nossos limites? Sabemos tudo o que é possível saber, mas isso não é tudo o que há a saber.

Há tudo por saber porque a Realidade não se esgota com a nossa capacidade de a apreender.

Muitas certezas fixam e fecham a nossa mente sobre si mesma. De tal modo que dificultam a nossa capacidade de acolher as incertezas dos outros que procuram também a Verdade.

Porém, se talvez Deus não goste de habitar nas certezas da razão, de que nos serve? Desconheço a tua experiência, mas a minha é a de que sem razão não se formulam dúvidas. E a razão não formula dúvidas sem despertar em nós o sentido de procura. É desse sentido que nasce uma paixão enorme do coração pela descoberta da Verdade. Aquela paixão do coração onde, talvez, Deus “goste” de habitar.

É esse o sétimo passo. Usar a razão para formular as dúvidas que superam as certezas que se revelam como inimigas da verdade quando fecham a nossa mente. Dúvidas formuladas que despertam em nós uma paixão de coração e sentido de procura pela Verdade e Realidade-que-tudo-determina.