Modos de interação entre ciência e religião | Quinto passo: pergunta resiliente

Modos de interação entre ciência e religião

Quinto passo: pergunta resiliente

Miguel Oliveira Panão

“… a pergunta é essencialmente inerente ao nosso ser humano. (…) Quem deixa de perguntar fica interiormente parado. (…) O ser humano só se torna ser humano se se abrir a algo que é maior do que ele próprio (…) quando persiste.” (Tomáš Halík e Anselm Grün, “O Abandono de Deus”, Paulinas, 2016)

O amor imenso de Deus por nós é a semente que agora precisa de crescer. Mas como em qualquer processo de maturação pessoal de uma experiência séria e profunda como a de Deus, surgem perguntas.

A reacção às perguntas que, naturalmente, emergem quando amadurecemos pode ser a de persistirmos nelas, ignorando sinais e respostas. Não deixamos de perguntar, mas, em vez de as deixarmos evoluir, sistematicamente, repetimos as mesmas perguntas.

Pode acontecer que estejamos a confundir persistência com resiliência. Por vezes persistimos nas coisas erradas.

Ser resiliente é ser diferente.

A persistência deve estar na abertura de coração, cabeça e mãos. É essa abertura que nos revela o que é maior do que nós, relativiza as incompreensões e mantém-nos de pé sempre que vacilamos.

A resiliência é a atitude mental daquele que se mantém no rumo apesar da incerteza antes de dar cada passo. O medo de dar um passo em falso leva-nos a parar no caminho, não amadurecer e quando nos damos conta disso, passaram os anos e as pernas não aguentam mais. Ser resiliente é caminhar pelas pistas reveladas pelas perguntas. É sofrer, cair, pegar na cruz e seguir em frente. Suor, sangue e lágrimas, mas não é isso que nos faz experimentar o humano que somos e o impulso divino que nos mostra o que podemos ser?

Cada pergunta resiliente é uma experiência e um passo que somos convidados a dar no caminho da descoberta da Realidade-que-tudo-determina.

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