Modos de interação entre ciência e religião | Décimo Ponto: Mente Aberta

Modos de interação entre ciência e religião

Décimo Ponto: Mente Aberta

Miguel Oliveira Panão

Blog & Autor

”Pensar abre a mente.”

Nas Eucaristias Dominicais, os católicos fazem um gesto antes do evangelho que começa por uma cruz na testa. Sempre que numa missa realizo esse sinal digo interiormente – ”Mente aberta.”

A abertura da mente é um dos pontos mais fundamentais para construir um diálogo que realize uma ponte entre ciência e fé, e não uma tentativa de uniformização daquilo que pensamos. Só podemos unir o que é diferente. Por isso, “cientificar” a fé ou “fidear” a ciência, fazendo de ambas uma amálgama de conceitos e abstracções corre o risco de fechar a mente.

Uma mente tende a fechar-se quando contacta apenas com o pensamento confortável e ao qual abanamos a cabeça afirmativamente. Se recordarem a última experiência em que o pensamento de alguém vos levou a franzir o sobrolho, esse é o tipo de momentos que abrem a mente. Só uma mente aberta é capaz de acolher a riqueza da diferença do outro, ainda que pense de modo contrário a nós.

A mente aberta é um ponto evolutivo no desenvolvimento de uma visão do mundo que se abre à possibilidade de aprendermos mais quando não sabemos tudo, ou desafiados em tudo o que sabemos. O espaço cognitivo criado pela abertura requer também desapego. Não se trata de dizer que sim a tudo e relativizar o conhecimento. Trata-se de saber escutar, fazendo do pensamento diferente o meu, e interiorizando-o, compreendê-lo para aferir a sua razão de ser ou não ser.

Abrir a mente exige esforço, treino e humildade. Pois, tudo o que diz respeito a Deus está sempre aquém daquilo que o nosso pensamento apreende, ou que a nossa experiência nos narra. Há sempre algo mais a apreender e a experimentar. Daí que uma mente aberta seja a melhor forma de nos preparar para o desafio último que enfrentam todos os pontos: conectá-los.


Imagem de Gerd Altmann por Pixabay