Modos de interação entre ciência e religião | Cada passo: uma surpresa

Modos de interação entre ciência e religião

Cada passo: uma surpresa

Miguel Oliveira Panão

Blog & Autor

Durante vários meses deixei-me ir pelo que me tocou no livro ”O Abandono de Deus”, escrito com as experiências de dois grandes pensadores espirituais do nosso tempo, Tomáš Halík e Anselm Grün, e o que no livro sublinhei associei a diversos passos.

Os passos aconteciam no caminho de descoberta da Realidade-que-tudo-determina. Expressão que aprendi do teólogo Wolfhart Pannenberg, grande precursor no diálogo entre ciência e fé, e que se refere a Deus.

O caminho foi percorrido por pequenas palavras ou expressões.

Onde.

Visão.

Pergunta resiliente.

Zona de desconforto.

Superar a inimiga da verdade.

Ser paciente.

Impulso.

Deter-se.

E se me perguntarem – ”sabias por onde ir nesse caminho?” – responderei que não, não sabia. Deixei-me conduzir por aquilo que o Abandono de Deus me inspirava e cada passo escrito, dado, foi uma surpresa. Pois, cada passo no caminho para Deus está ao alcance de todos os que acreditam e não acreditam que essa Realidade o possa ser, sem nunca nos deixa de surpreender.

Não é a surpresa que nos move em cada dia? Se cada dia fosse o mesmo, cada momento uma repetição de anteriores, que motivação haveria para viver? É verdade que não aparecemos na história do Universo por acaso, pela simples razão que TUDO no Universo nasce de uma “palavra” por Deus pronunciada. Mas, sem o espaço de oportunidades e surpresas que o acaso oferece, a vida seria monótona e sem beleza. Não será o acaso, também, uma “palavra” pronunciada por Deus?

Atrevo-me a dizer que, sem o acaso, nunca poderíamos descobrir esta faceta de Deus como surpresa. Consola-me pensar, sem o saber, que Deus talvez tenha escolhido não saber tudo, mas deseja tudo saber.

O desejo de surpreender e ser surpreendido está profundamente enraizado no ser humano feito à imagem e semelhança de Deus.

Sobre este desejo…

De onde virá?

Que visão nos dará?

Que questão levanta?

Que desconforto gera?

Que verdade esconde?

Que espera exige?

Que impulso suscita?

Que paragem impulsiona?

Uma coisa experimento ao percorrer este caminho e partilho-te. Se ficares surpreso, fica sabendo: deste um passo.

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay