Livro: Fracassos da Corte (obra desconhecida e inédita, sendo Santa Joana a protagonista)

Livro: Fracassos da Corte

Obra Moral baseada na vida da Princesa Joana de Portugal, Dominicana.

Autor: Giovanni Mutti

«É sabido que são muito numerosas as publicações sobre a Padroeira de Aveiro; todavia, mais uma se veio agora catalogar na sua lista, cuja leitura nos encanta e prende.» – Mons. João Gonçalves Gaspar, Postulador da causa da Canonização de Joana de Avis, Infanta de Portugal, no Prefácio da obra.

O AUTOR. Frei Giovanni Maria Muti, dominicano de Veneza, viveu entre 1649 e 1727. Escreveu peças de teatro, obras de reflexão política e moral e peças musicais. Algumas das suas obras: Quaresimale, Penna Politica, La Gismonda, La Madalena Penitente, Problemi, La Magia de Caratteri, I Tre Impegni del Divino Amore, La Penna Volante Ridotta al Morale, Il Concistoro Generale De’ Santi Delineato In Panegirici Sagri, Cicisbeo, Il Trono di Salomone, Motetti a Otto Voci.

Da introdução ao livro Fracassos da corte

«Fracassos da Corte, a peça de teatro que agora se traduz para português e para a cena, da autoria do dominicano Frei Giovanni Maria Muti – que a escreveu e editou em 1682, em Veneza -, apresenta um título (I fallimenti di Corte) que não convoca de imediato a descodificação do seu assunto. Versa a pequena peça sobre a vida da Princesa Joana de Portugal, que viveu reclusa e levando vida de monja no mosteiro de Jesus de Aveiro (da ordem de S. Domingos), entre 4 de agosto de 1472 e 12 de maio de 1490, ano da sua morte. Em 1471 entrara primeiramente no cenóbio de Odivelas, da ordem de Cister, onde sua tia, D. Filipa de Lencastre, irmã da mãe, estava recolhida, vindo a optar entretanto, no ano seguinte, pelo Mosteiro de Jesus de Aveiro, por razões de exigência espiritual, que a levavam a escolher uma casa religiosa onde se vivesse uma vida mais severa de apertada e rigorosa observância, no que foi também acompanhada por sua tia. Em rigor, D. Joana nunca chegou a professar, conforme era seu expresso desejo em 1475, porque o seu estatuto de potencial herdeira do trono de Portugal (vínculo de que nunca a libertaram) a isso a impediu. No entanto, realizou todo o cerimonial próprio da profissão, cortando os cabelos e envergando o hábito, só não fazendo votos. De facto, apesar da sua insistência, a comissão de teólogos convocada e reunida para se debruçar sobre o problema não autorizou a profissão religiosa. Aliás, quando, por várias vezes, houve peste em Aveiro, a Princesa foi obrigada a abandonar o convento para não correr perigo de vida, tendo vivido então no mosteiro de Santa Clara de Coimbra, no Porto, em Avis, em Abrantes, etc., até as várias epidemias estarem debeladas, regressando novamente ao seu mosteiro, meses depois. (…)

(…) Da vida de D. Joana, no entanto, a peça apenas se concentra no ano de 1471, porque foi nesse ano que se jogou a grande decisão e o grande conflito que opunha a vontade da princesa à vontade do Rei. Todo o resto da sua vida, que constitui também um compêndio de santidades, foi deixado de lado por não conter tanta matéria dramática. De lado ficaram as esmolas e a educação do sobrinho D. Jorge, filho bastardo de D. João II, que este lhe pediu para ela educar no mosteiro. Todas as saídas da Infanta por motivo de peste (que a fizeram sofrer a condição de privilegiada, numa vida de simplicidade que para si escolhera) são também omitidas. É igualmente silenciado o grande desgosto de não poder professar fazendo votos (sobretudo o de castidade), por nunca a terem desligado do estatuto de possível procriadora de herdeiros da coroa. Ao fechar a porta do mosteiro, no final da peça, fecha-se também a porta sobre a observação da restante vida de Joana de Portugal, ganhando a peça em força dramática e em concentração temporal e de ação. Entre a narrativa manuscrita ou impressa da vida de Joana Princesa de Portugal, inicialmente redigida por Soror Margarida Pinheira, e a dramaturgia de Muti vai não só a diferença intrínseca às modalidades estruturais e discursivas de um género literário, mas a distância entre a organização cronológica total própria das narrativas hagiográficas e a hábil seleção de um momento de vida da Princesa, que se propiciasse simultaneamente à construção dramática e à evangelização eficaz e persuasiva.»

Excertos retirados da introdução escrita por

Isabel Morujão – 4 de Abril de 2017, 424 anos após a beatificação de Joana de Portugal, em 1693.

Faculdade de Letras da Universidade do Porto

CITCEM

MUTI, Giovanni Maria – Fracassos da Corte.
Aveiro: Editora Tempo Novo, 2017

Tradutor: Pe. Doutor Júlio Franclim do Couto e Pacheco. 
Introdução: Professora Doutora Isabel Morujão.
Prefácio: Monsenhor João Gonçalves Gaspar