Laudato Si’: Quatro anos desejando outro estilo de vida

Pe. João Santos

Assinalamos quatro anos da publicação da Encíclica Laudato Si. As questões ambientais não são uma novidade deste pontificado, uma vez que a Doutrina Social da Igreja, ou mesmo outros documentos do Magistério Católico já se tinham referido a questões do âmbito ecológico. O seu rasgo, para além do facto de ser a primeira Encíclica a ser inteiramente dedicada a este tema, é o alcance teológico, antropológico e moral presentes.

Aqui vemos como o Papa Francisco não receia incluir os dados da pesquisa científica no documento, mas não se limitando apenas à exposição às questões técnicas; aí inclui as dimensões sociais e políticas, que contribuem para oprimir os que são mais fracos, as quais são fonte de injustiça. E bem sabemos como ao Sumo Pontífice é cara a identificação de Cristo com os mais pobres. Este é o caminho que Francisco nos faz percorrer ao longo da Encíclica, fazendo-nos notar a necessidade da fraternidade universal desejada por Francisco de Assis.

Neste documento a pessoa humana é claramente assumida como imagem da Trindade Divina (n. 239), vocacionada por isso a viver orientada e em comunhão para Deus. Todavia esta dinâmica só acontece se se respeitar as relações fundamentais intimamente ligadas: com Deus, com o próximo e com a terra. Qualquer rutura destas relações prejudica a pessoa humana e nasce do pecado (n. 66).

O caminho de vida colocado como resposta a todos os homens e mulheres do mundo é o da ecologia integral, o qual não se reduz a uma dimensão apenas material, mas inclui uma dimensão espiritual, como constitutiva e importante no caminho global da construção da harmonia e da paz. A degradação do meio ambiente constitui uma agressão e aumenta o risco dos conflitos; a conversão ecológica é, como contra-peso, o movimento interior, em que o coração humano reconhece a sua limitação, identifica o seu sentido, procura apenas o que realmente precisa e aceita a sobriedade como norma de vida necessária e suficiente.

A Encíclica é muito extensa e rica, tirando frequentemente ilações que nos remetem para uma forma de vida iluminada pela redenção de Cristo. A sua revisitação é por isso uma ocasião de nos colocar em processo de transformação de mentalidade e de prioridades de vida rumo a uma vida mais evangélica.