IV Domingo do Tempo Comum (Ano B)
21 Janeiro, 2018IV Domingo do Tempo Comum (Ano B)
Pe. Franclim Pacheco

Breve comentário
O texto escolhido para este domingo segue-se imediatamente ao do domingo passado e continua a descrição da acção de Jesus, salientando o seu ensinamento e o episódio de exorcismo, que tem um significado muito particular para o evangelista Marcos. Ele reconhece nisso uma actividade específica do Messias e o sinal claro da instauração do Reino divino que vence o poder e o mal.
Jesus, com os quatro discípulos que tinha chamado, entrou em Cafarnaum. O evangelista Mateus (5,13) vai, mais tarde, precisar que Jesus se tinha mudado de Nazaré precisamente para aquela cidade junto ao Mar da Galileia, estabelecendo a sua morada em casa de Pedro.
Conforme o seu hábito de judeu piedoso, vai à sinagoga em dia de sábado para a oração comunitária e a escuta da Palavra de Deus. Habitualmente é lido um trecho da Lei (Pentateuco) e outro dos Profetas. Qualquer um pode ser escolhido para ler e comentar as leituras, muitas vezes dando preferência a quem está pela primeira vez. Jesus é convidado.
Jesus não se limita a referir os comentários, tantas vezes repetidos, que os escribas iam fazendo. Ele ensinava, fazendo um comentário diferente e dando nova perspectiva aos textos da Escritura, o que causou a admiração dos presentes. Por outro lado, parece que a força das palavras de Jesus é confirmada pelas acções poderosas que a acompanham. «Ele ensinava com autoridade e não como os escribas».
A presença dum homem com um espírito impuro é paradigmática. Os Actos dos Apóstolos (10,38) resumem a actividade de Jesus: «Como Deus ungiu com o Espírito Santo e com poder a Jesus de Nazaré que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio». Jesus tem o poder do reino que traz consigo não apenas o anúncio da libertação futura mas impele o evangelizador a realizar acções libertadoras em favor do homem.
Jesus vem libertar o homem do pecado. Mas também o mal físico e a doença pertencem à esfera do pecado, das coisas não queridas por Deus. Deus e espírito impuro são antagónicos. Onde entra Deus, o mal reconhece-O e reage necessariamente pois quer continuar a sua acção em paz. Até Jesus falar, não tinha havido qualquer reacção da parte do espírito impuro. Agora sente-se incomodado: «Que (há) entre tu e nós, Jesus Nazareno? Vieste para arruinar-nos?».
O título «Santo de Deus» parece fazer referência à actividade de Jesus em que se manifesta a força do Reino em relação aos demónios e, por isso, Marcos indica o exorcismo como a primeira acção poderosa que acompanha o ensinamento de Jesus. Pela primeira no evangelho de Marcos encontramos proibição de os demónios revelarem de Jesus. É uma característica da primeira parte do texto de Marcos, chamado habitualmente segredo messiânico. O espírito impuro não pretende fazer uma profissão de fé, mas manipular o poder do seu nome divina.
Jesus não perde tempo com grandes gestos ou palavras, como os exorcistas do seu tempo. Simplesmente ordena: «Cala-te e sai dele», e é obedecido. Este sinal de luta com o mal vem confirmar o ensino de Jesus, é o selo que Ele coloca na sua Palavra para a confirmar. Ensina com uma autoridade a que até o mal está submetido.
O Reino de Deus, anunciado por Jesus como próximo (1,15), já está em acção.

