III Domingo do Tempo Comum (Ano B)

III Domingo do Tempo Comum (Ano B)

14 Janeiro, 2018 Não Por admin_cult

III Domingo do Tempo Comum (Ano B)

Pe. Franclim Pacheco

Breve comentário

João Baptista introduziu Jesus na história do seu tempo, depois desapareceu de cena bruscamente: este é o destino de todos os profetas. João desaparece para deixar o lugar ao «mais forte» do que ele.

Depois de tantas experiências fracassadas para restaurar o reino de David, a esperança foi depositada num futuro Messias. Mas só o Senhor poderá voltar a levantar Israel, só Ele poderá ser o Rei, substituindo todos os outros que se tinham mostrado indignos. Começou assim a longa expectativa.

É o final desta expectativa que Jesus anuncia. O Reino de Deus está próximo. Esta é a grande Boa Nova que pertence a Deus, o Evangelho de Deus que se identifica com a Boa Nova de Jesus Cristo, Filho de Deus (Mc 1,1).

«O tempo está realizado». A espera terminou, as promessas realizaram-se; é a última etapa da história da salvação, a última fase da realização do projecto de Deus; é o fim dos tempos; chegou a plenitude dos tempos, o momento presente está cheio da presença de Deus que salva.

Há duas condições para entrar neste processo do Reino: Arrepender-se (metanoía) e acreditar. Arrepender-se significa arrepiar caminho, mudar o rumo para se voltar (converter) para Deus. A conversão é uma mudança radical. Deve mudar a atitude interior e a conduta exterior. Converter-se é voltar-se para Deus em atitude de obediência e acolher com alegria a sua soberania. O Evangelho é a possibilidade de experimentar alegremente a soberania de Deus na própria vida.

E é preciso acreditar, não apenas em verdades, mas n’Aquele que é a Verdade, o anunciador e o próprio Evangelho. Acreditar é confiar em Jesus Cristo que vem como resposta às nossas interrogações. Para quem aceita estas duas condições, o Reino oferecido de graça, como dom, será para ele realmente uma Boa Nova. A grande novidade é que esta proclamação foi feita, não em Jerusalém, capital e sede do templo de Deus, mas na obscura Galileia.

A segunda parte apresenta-nos, em dois momentos paralelos, o chamamento de dois grupos de irmãos que irão constituir o núcleo forte do grupo dos apóstolos: estarão presentes (menos André) na ressurreição da filha de Jairo (5,37) e no Getsémani (14,33) e, antes, com André, sobre o monte das Oliveiras (13,3) a interrogar Jesus e a escutar o discurso escatológico.

Marcos não está a fazer um relato pormenorizado de como as coisas aconteceram, mas quer fazer uma catequese para quem um dia se sentiu chamado por Jesus. Por isso, deixam em branco muitos aspectos referentes ao chamamento daqueles discípulos que poderiam satisfazer a nossa simples curiosidade.

A iniciativa é de Jesus: a vida cristã não é uma escolha nossa mas uma resposta ao seu chamamento. O apelo de Cristo tem uma nota de urgência: é o momento favorável, não há tempo a perder.

O apelo de Jesus exige uma separação radical: deixar as riquezas (Mc 10,21), abandonar o caminho do domínio e do poder (Mc 9,35), pôr de parte aquela ideia de Deus que construímos para defesa dos nossos privilégios (Mc 7,8-13), viver na lógica da cruz (Mc 8,34) até reconhecer no rosto desfigurado dum homem crucificado a verdadeira imagem do Deus sem figura (Mc 15,39).

Jesus vai caminhando, vai convidando a segui-lo, e continua o seu caminho. Os quatro homens não estão desocupados: estão a desempenhar a sua profissão, têm muito que fazer. E rapidamente têm de deixar as suas tarefas, a família para seguir, para ir atrás de Jesus que não pára para ver se O seguem.

Jesus é um mestre diferente. Não quer que os discípulos O procurem para serem ensinados, mas sejam pessoas que, respondendo imediatamente ao chamamento num desapego total, caminhem com Ele, partilhando as suas escolhas de vida.