Gaspar Albino – Pintor que entreabre portas

Gaspar Albino – Pintor que entreabre portas

17 Julho, 2017 Não Por admin_cult

Para memória

GASPAR ALBINO: Pintor que entreabre portas

Pe. Georgino Rocha

Gaspar de Albino  nasce em Aveiro a 21 de Agosto de 1938 e vem a falecer a 16 de Julho de 2017. Para quem conhece a sua vida e obra pode dizer com verdade que soube valorizar os muitos desafios que foram surgindo: como cidadão interveniente, empreendedor criativo, artista responsável, cristão empenhado na justiça social e no desenvolvimento sustentado, doente paciente e lutador.

A saúde alterou-se nestes últimos anos. Doenças graves “batem-lhe à porta”. Sintomas disparam o “alarme” e a morte acontece. Gaspar Albino é, agora, um defunto, pois cessa funções na terra e começa a desempenhar umas outras no céu, isto é no seio de Deus juntamente com todos os seus familiares e amigos.

O seu itinerário de vida deixa ver bem quem era Gaspar Albino. O seu amor a Aveiro é inconfundível e fica gravado de forma brilhante em textos e obras de arte. A sua dedicação à causa pública é notória e apaixonada e consta de tantos serviços de responsabilidade assumida. O seu envolvimento cristão pelo bem comum e pela liberdade de expressão, entre outros, leva-o a ser signatário da carta dirigida aos candidatos a deputados nas eleições de 1961, (ainda estudante universitário) logo a seguir à publicação da encíclica Mater et Magistra, de João XXIII, a tomar parte na “manifestação dos cristãos” na cidade em 13 de Julho de 1975 e em tantos outros acontecimentos da Igreja diocesana. O seu gosto/culto pela arte diversifica-se por várias modalidades e adquire o estatuto de referência e de “ponte” entre artistas aveirenses e, a partir de certa altura, com a Comissão Diocesana da Cultura.

“O meu desejo será, confessa numa recente entrevista, agora que estou reformado, o de poder continuar a fazer o que mais gosto: escrever, desenhar e pintar de forma consequente. Gostaria que me recordassem como um pintor que entreabriu algumas portas, apesar de não ter tido tempo para as abrir como gostaria”. Belo propósito que certamente deixa sementes a germinar.

O seu legado é enorme. Em muitas facetas do agir humano. Avivar a sua memória é imperativo de consciência aveirense. Prosseguir os seus passos é desafio a assumir por quem cultiva o gosto pelo beleza e pela arte, pela família e pela “cidade”, pela humanidade e por toda a criação, pela sua/nossa ria.

Gaspar Albino, bom Amigo desde os tempos dos Cursos de Cristandade, que os nobres desejos que cultivaste entre nós sejam agora plenamente satisfeitos na vida nova que alcançaste, atravessando a porta do tempo entreaberta pela morte. Que a Senhora da Misericórdia que tantas vezes visitaste na sua Igreja no coração da nossa cidade, te envolva no seu manto e te acarinhe como boa Mãe. E que Santa Joana, de quem eras um pregoeiro incansável, te sorria atraente com o seu desvelo por Aveiro e suas gentes.

 (Foto de ilustração: Pintura de Santa Joana – Acrílico sobre tela

Foto de ilustração e do autor in http://www.prof2000.pt)

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