Bioética e sociedade | Uma escola que cria valor com valores…

Bioética e sociedade
(Parceria com o Centro de Estudos de Bioética)

Carlos Costa Gomes*

  1. O que queremos afirmar quando dizemos criar valor com valores? E o que são os valores?

Respondendo às duas questões em simultâneo, diríamos que os valores fazem parte do ser mais profundo e mais íntimo da pessoa. Além de ser importantes por si só, porque todos falamos em valores, eles manifestam-se como indispensáveis à vida em comunidade e são inseparáveis de cada pessoa em particular, na medida em que toda a pessoa é inevitavelmente moral, já que não existe nenhuma pessoa que se possa situar para além do bem e do mal.

  1. O universo dos valores, em geral, situa-se numa zona cinzenta e complexa, uma vez que atualmente, neste âmbito, tudo parece resolver-se de forma subjetiva – eu gosto ou não gosto; aprecio ou não, estimo ou não estimo. Tudo parece depender de cada um enquanto ser individual e dos valores que cada um está convencido de que valem e de que também outras pessoas os valorizam, esquecendo-se, não raras vezes, que os valores morais e éticos não são apenas uma questão de gosto pessoal.
  2. O cultivo para desenvolver a capacidade percetiva da inteligência reflexiva da pessoa humana em avaliar como bom e mau (em valorar ou atribuir valor), é fundamental para o crescimento moral do ser humano. A escola tem tarefa de ensinar esta temática e a família a obrigação de educar. Mais do que um dever da escola ou da família, é um direito que assiste a cada pessoa, seja estudante ou não.
  3. Se assim acontecer, o ensinamento dos valores ganha significado e são percecionados como aquilo que realmente valem. Criar valor com valores na escola, consiste, pois, em cultivar condições ideais para chegar ao real; que preparem os estudantes (e pessoas em geral) para passarem da subjetividade à objetividade dos valores para que o viver em comunidade; ajudar a potenciar valor criativo para a (re)construção de valores fundamentais, tendo em conta que a consciência moral sabe e sente que o bem como valor é universalmente humanizador uma vez que congrega em si uma ética cívica compaginada em valores cívicos, como os da liberdade, igualdade, solidariedade, justiça, respeito pelo diálogo social e religioso, etc…; que o bem como capital axiológico é património da humanidade.

 

*Presidente do Centro de Estudos de Bioética

Professor e investigador do Instituto de Bioética da UCP | Membro da Academia ‘Fides et Ratio’