AVEIRENSES NOTÁVEIS | JOSÉ MARTINS DA SILVA

Aveirenses notáveis

José Martins da Silva,
um aveirense que se notabilizou em Estarreja

Cardoso Ferreira (textos)

Natural de Aveiro, José Martins da Silva radicou-se em Estarreja, município onde desempenhou relevante atividade de índole social e cultural.

José Martins da Silva, filho de José Martins Silva e de Maria Trindade Silva, nasceu em Aveiro, no dia 20 de novembro 1930, e faleceu em Estarreja, no dia 12 de dezembro 2010.

No ano de 1962, José Martins da Silva passou a exercer atividade profissional no concelho de Estarreja, onde acabou por fixar residência e empenhar-se profundamente na comunidade local, tendo-se notabilizado como colaborador e diretor do jornal “O Concelho de Estarreja”.

Durante cerca de 32 anos, José Martins da Silva foi funcionário da “Cires”, uma empresa química de referência nacional com instalações no complexo químico de Estarreja. Nessa empresa, destacou-se como técnico de segurança de “reconhecida competência no domínio da segurança industrial”, tendo dirigido essa secção da Cires durante quase 25 anos. Por esse motivo, o lançamento do seu livro de poesia “Versos que vão no vento”, ocorrido no dia 23 de novembro de 2012, foi inserido nas comemorações dos 50 anos da empresa “Cires”.

Quando da sua morte, a Câmara Municipal de Estarreja aprovou um voto de pesar.

Três décadas na direção de “O Concelho de Estarreja”

A par da sua vida profissional, José Martins da Silva dedicou-se também ao jornalismo, fazendo do jornal “O Concelho de Estarreja” uma outra sua casa durante quatro décadas. A sua ligação a esse jornal centenário, fundado em 1901 por Egas Moniz, prémio Nobel da Medicina, começou em 1970, então como colaborador. Seis anos volvidos, passou a desempenhar o cargo de diretor interino. No ano de 1978 passou a diretor, funções que exerceu praticamente até à sua morte, em 2010. No dia 20 de abril de 2002, a Assembleia Municipal de Estarreja, em sessão ordinária, deliberou atribuir a medalha de ouro do concelho aos jornais concelhios “O Concelho de Estarreja” e “O Jornal de Estarreja”, então dirigidos, respetivamente, por José Martins da Silva e por Artur Castro Tavares. As referidas medalhas de ouro foram entregues a esses dois jornais, representados pelos respetivos diretores, na cerimónia comemorativa do Feriado Municipal, realizada no dia 13 de junho de 2002, no salão nobre do edifício dos Paços do Concelho.

Autor com livro sobre a imprensa estarrejense

José Martins da Silva viu duas obras suas serem publicadas – “Jornais e Publicações do Concelho de Estarreja” e “Conversa Desfiada”, a que se juntou uma outra, já a título póstumo – “Versos que vão no Vento”.

O primeiro desses livros é uma antologia de “Jornais e outras Publicações do Concelho de Estarreja”, publicado pela Câmara Municipal de Estarreja no ano de 1993, que descreve cerca de duas dezenas de títulos que se publicaram, até então, no concelho de Estarreja e também os que se editaram na área do concelho da Murtosa, até a emancipação deste município no ano de 1926.

O segundo, foi uma edição do jornal “O Concelho de Estarreja”.

“Versos que vão no Vento”, publicado em novembro de 2012, reúne um conjunto de escritos inéditos, com especial destaque para poesia, que a família reuniu e resolveu editar em livro.

Serviço em prol da comunidade

José Martins da Silva conseguiu conciliar a sua atividade profissional e as funções de diretor de jornal, com uma intensa intervenção social em prol da comunidade estarrejense, deixando o seu nome ligado a diversas instituições, entre as quais, a Santa Casa da Misericórdia de Estarreja, a Conferência de S. Vicente de Paulo, a Tertúlia Moliceira, o Centro Recreativo de Estarreja (e a respetiva secção columbófila), a Associação Cultural de Salreu, a Liga dos Amigos do Hospital Visconde de Salreu, os Bombeiros Voluntários de Estarreja, a Associação Saavedra Guedes, o Rotary Clube de Estarreja e a Casa do Benfica de Estarreja.

Também o carnaval de Estarreja deve muito a José Martins da Silva, uma vez que, em finais da década de 1960 e inícios da década seguinte, em conjunto com outros destacados estarrejenses, impulsionou o renascimento do Carnaval de Estarreja. Deixou ainda o seu nome ligado às Festas de Santo António.