Aveirense ilustre – Gaspar Albino, artista plástico e empresário

Aveirense ilustre

Gaspar Albino, artista plástico e empresário

Cardoso Ferreira (Textos)

Gaspar Albino notabilizou-se como um dos mais destacados homens de cultura da região de Aveiro da atualidade, deixando uma vasta obra como artista plástico, cronista e dirigente associativo.

Joaquim António Gaspar de Melo Albino nasceu na antiga freguesia da Glória (Aveiro), no dia 31 de agosto de 1938, e faleceu no dia 16 de julho de 2017, num hospital da cidade de Coimbra. Era filho de Manuel de Melo Albino, marítimo, e de Maria Benedita Gaspar de Melo, doméstica.

Foi casado com Maria Claudette da Silva Gaspar de Melo Albino, uma advogada e docente que também foi uma referência nas artes plásticas aveirenses. Os filhos do casal são Cláudia Regina da Silva Gaspar de Meio Albino, licenciada em Arquitetura pela Universidade do Porto, e António José da Silva Gaspar de Meio Albino, licenciado em Engenharia Civil pela Universidade do Porto.

Depois da instrução primária, na Escola Primária da Glória (de 1945 a 1949), Gaspar Albino fez o Curso Geral de Comércio, na Escola Industrial e Comercial de Aveiro (de 1949 a 1954), tendo recebido o prémio do Grémio do Comércio de Aveiro para o melhor aluno do seu curso. Mais tarde, e nessa mesma escola, frequentou os cursos complementares de Francês, Inglês e Alemão, como estudante-trabalhador

Enquanto estudante, participou em atividades circum-escolares, tendo obtido vários prémios em jornalismo e artes plásticas, tendo ainda fundado e dirigido o jornal de estudantes-trabalhadores “PRÀ-FRENTE!”.

Apesar das capacidades académicas que possuía, Gaspar Albino teve de abandonar os estudos devido às carências económicas do seu agregado familiar, começando a trabalhar, com a idade de 16 anos, na área da contabilidade.

Aos 18 anos de idade, como estudante-trabalhador, fez na mesma época exames, no Liceu Nacional de Aveiro, do 2.º e do 5.º ano, com dispensa de provas orais. Foi o aluno mais bem classificado a Desenho. No ano seguinte (com autorização do Ministério da Educação Nacional), fez o 7.° ano dos Liceus (alínea de Direito). Após exame de admissão, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, curso que abandonou no quarto ano, devido à sua absorvente vida profissional.

Empresário no setor das pescas e das artes gráficas

O Curso Geral de Comércio permitiu a Gaspar Albino iniciar a vida profissional numa empresa de pesca de bacalhau de Aveiro. Pouco anos mais tarde, foi nomeado guarda-livros e chefe da contabilidade de duas empresas dum grupo económico aveirense.

Quando a empresa entrou em processo de falência, Gaspar Albino foi incumbido de a recuperar, tarefa que conseguiu com enorme sucesso. Conseguiu convertê-la numa das melhores empresas de pesca do país, ao mesmo tempo que diversificou a sua área de intervenção, nomeadamente na construção naval.

Em 1985, Gaspar Albino alienou todas as suas participações no setor das pescas, investindo então nas artes gráficas.

Entre os inúmeros cargos sócio profissionais que exerceu, destacam-se o de diretor do Grémio dos Armadores de Navios da Pesca do Bacalhau; presidente da assembleia geral da Mútua dos Navios Bacalhoeiros, presidente da assembleia geral da Copenave (Cooperativa Abastecedora de Navios), presidente da assembleia geral da Associação dos Armadores da Pesca Longínqua, diretor e presidente da Associação dos  Armadores das Pescas Industriais, presidente da assembleia geral da Cooperativa dos Armadores da Pesca de Arrasto, presidente da assembleia geral da Mútua dos Armadores da Pesca de Arrasto, vogal da Corporação das Pescas e das Conservas.

Artista plástico e cronista

Gaspar Albino foi um artista plástico que se notabilizou no desenho, na pintura e nas artes gráficas.

Ainda nos seus tempos de aluno da Escola Industrial e Comercial de Aveiro, participou em “Salões de exposição estética” para jovens, tendo sido várias vezes premiado. Ganhou o primeiro prémio de desenho em concurso mundial promovido por Art Instruction Schools, de Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos da América e, enquanto bolseiro, ganhou prémios de curso, quando tinha dezoito anos.

O “Correio do Vouga” foi um dos jornais que Gaspar Albino dirigiu graficamente, tendo contribuído para que este Jornal ganhasse o primeiro prémio nacional do extinto SNI, em grafismo. Dirigiu graficamente ainda folha universitária de poesia “Ainda”, a folha “Via Latina” (órgão da Associação Académica da Universidade de Coimbra), o “Companha” (suplemento literário do “Litoral”).

Como artista plástico, participou em exposições individuais e coletivas, tendo sido premiado numa das edições do “Salão Aveiro”. Participou também em exposições em Espanha e nos Estados Unidos da América. Está representado no Museu de Aveiro e em alguns livros de referência sobre as artes plásticas portuguesas.

Como diretor do Clube dos Galito, Gaspar Albino organizou a primeira Exposição dos Artistas Aveirenses. Foi-lhe atribuído o Prémio José de Pinho, do Clube dos Galitos pela sua ação no campo das Artes Plásticas.

Gaspar Albino ilustrou diversos livros e publicou crónicas em alguns jornais aveirenses, designadamente no “Correio do Vouga”, a última das quais na edição do passado dia 31 de maio.

Gaspar Albino foi também um dos fundadores do CETA – Círculo Experimental do Teatro de Aveiro, para o qual fez cenários e peças.

Na Rádio, foi colaborador regular da Rádio Moliceiro, de Aveiro.

Intensa atividade cívica e associativa

A par da intensa atividade profissional Gaspar Albino foi um ativo interveniente na sociedade aveirense, exercendo funções nas mais diversas áreas, nomeadamente autárquicas, como de vereador da Cultura da Câmara Municipal de Aveiro, em dois mandatos, primeiro secretário do Conselho Municipal de Aveiro (1986/1989) e vogal da Assembleia Municipal de Aveiro.

O espírito altruísta de Gaspar Albino ficou bem demonstrado na sua ligação aos movimentos lionístico e aos bombeiros. No primeiro, foi presidente fundador do Lions Clube de Aveiro e sócio fundador do Lions Clube de Santa Joana Princesa, bem como vice-Governador e Governador do Distrito 115 – Centro Norte de Lions Clubes. No segundo, presidiu à dirção da Companhia Voluntária de Salvação Pública Guilherme Gomes Fernandes – Bombeiros Novos de Aveiro, bem como à Mesa de Encontros de Direções da Federação do Bombeiros do Distrito de Aveiro.

No movimento associativo, foi sócio fundador da AMUSA – Associação dos Amigos do Museu de Aveiro, de que foi o primeiro presidente da sua assembleia geral, e do Círculo Experimental dos Artistas Plásticos de Aveiro – Aveiro Arte, do qual foi o seu primeiro presidente da direção. Era o presidente da atual assembleia geral.

 (A rubrica «Aveirenses ilustres» é promovida em parceria com o jornal diocesano Correio do Vouga)