Aveirense Ilustre: Agnelo Caldeira Prazeres – Engenheiro especialista em saúde pública

Aveirense Ilustre

Agnelo Caldeira Prazeres – Engenheiro especialista em saúde pública

Cardoso Ferreira (Textos)

Agnelo Caldeira Prazeres foi um aveirense que se especializou em engenharia sanitária, tendo  sido membro efetivo da Organização Mundial de Saúde.

Agnelo Caldeira Prazeres nasceu na cidade de Aveiro, no dia 16 de junho de 1895, e faleceu em Oiã, no dia 19 de junho de 1964, onde ficou sepultado.

Filho de Ernesto Caldeira Prazeres, da Vera Cruz, Agnelo Caldeira Prazeres matriculou-se na segunda classe da primeira turma, no ano letivo 1906 – 1907, no Liceu Nacional de Aveiro.

Depois dos estudos iniciais em Aveiro, formou-se em engenharia no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, tendo-se especializado em engenharia sanitária na Universidade de Carolina do Norte, na cidade norte americana de Chapel Hill, curso que tirou como bolseiro da Fundação Rockfeller. Durante a estadias nos Estados Unidos da América, realizou visitas de estudo a várias cidades americanas, as quais lhe serviram de mote para o livro “Salubridade na América do Norte”, publicado em 1934.

Entre os importantes cargos que desempenhou, Agnelo Caldeira Prazeres foi diretor dos Serviços Industriais de Lisboa, engenheiro sanitário da Direcção-Geral de Saúde, engenheiro-chefe da Brigada Técnica da Direcção-Geral de Assistência, professor do Curso de Medicina Sanitária do Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge, membro das comições de Profilaxia da Tuberculose, membro efetivo da Organização Mundial de Saúde, diretor dos Serviços Administrativos dos Hospitais Civis de Lisboa.

Ainda como engenheiro especialista em saúde pública, integrou equipas que elaboram regulamentos de abastecimento de água e das canalizações de esgotos, regulamentos de estandardização de materiais de canalizações sanitárias, entre outros documentos.

Entre os projetos de saneamento público desenvolvidos por Agnelo Caldeira Prazeres, foi destacado, pela “Revista de Chimica Pura e Aplicada”, órgão da Sociedade Portuguesa de Química e Física (julho – setembro de 1936), o de Espinho, onde o autor “preconiza a depuração mecânica e biológica (por leitos percoladores ou lamas activadas) das águas de esgôto, com tratamento e aproveitamento das lamas”.

Promotor de melhoramentos em Oiã

Se Aveiro foi a terra natal de Agnelo Caldeira Prazeres, Oiã, no vizinho concelho de Oliveira do Bairro, foi a sua terra de adoção, escolha que muito se ficou a dever à sua primeira esposa, Maria Isabel de Oliveira Matos. Mesmo após a morte desta, e de um segundo casamento com Sofia Joana Manuela Arévalo Macarrón, de origem espanhola, continuou ligado a Oiã, terra onde ficou sepultado.

Os problemas e anseios de Oiã rapidamente também passaram a merecer a atenção deste engenheiro com influência em meios de decisão política e governativa, mercê dos cargos que desempenhou em Lisboa.

Alguns dos melhoramentos de Oiã em que se empenhou pessoalmente foram, entre outros, a criação da estação dos CTT, a instalação da central telefónica e a construção da estação dos caminhos de ferro (CP). Esta última obra permitiu que Oiã ficasse diretamente ligada às principais cidades entre Lisboa e o Porto.

Igualmente, empenhou-se também em causas sociais e assistenciais, tendo sido o grande impulsionador da fundação do Centro de Assistência Social de Oiã, ocorrida em 1958, conseguindo atrair para essa causa inúmeros apoios de mecenas, entre os quais Jaime Ferreira da Silva, um oianense emigrado no Brasil.

Agnelo Caldeira Prazeres está representado na toponímia de Oiã.

Autor de obras temáticas de referência

Agnelo Caldeira Prazeres foi autor de obras de referência na área do saneamento, do abastecimento de água, da higiene e saúde pública.

Das diversas obras que publicou, destacam-se: “Salubridade na América do Norte”, publicada pela Direcção-Geral de Saúde, em 1934; “Esgôtos em cursos de água” (1935); “A febre tifóide e o abastecimento de água no Concelho de Ponta Delgada: do relatório apresentado à Junta Sanitária de Aguas” (1936); “Protecção das águas de abastecimento”, inserido no Boletim da Comissão de Fiscalização das Obras de Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa (1941); “Leite e seus derivados” (1942); “A importância da engenharia sanitária” (1947); “Problemas de Assistência e Saúde Pública – seus aspectos e tendências actuais” (1947); “Saneamento – seus aspectos fundamentais” (1948).

Foi ainda coautor (juntamento com A. Macedo dos Santos, do “Curso de Aperfeiçoamento de Engenharia Sanitária para Engenheiros Municipais”, publicado pela Direcção Geral da Saúde, Direcção Geral de Urbanização.

 (A rubrica «Aveirenses ilustres» é promovida em parceria com o jornal diocesano Correio do Vouga)