A Economia de Francisco

João César das Neves (Texto)

António Bracons (Foto) fasciniodafotografia.wordpress.com                        

«Esta economia mata!» (Evangelii Gaudium 53). Frases como esta colocaram o papa Francisco no centro dos debates económicos recentes.Temos muitas forças políticas reivindicando apoio papal, enquanto outras o atacam como inimigo. Estará o Papa alinhado ideologicamente?

Quem quiser conhecer a verdadeira posição de Francisco sobre economia tem de começar por notar dois elementos. Primeiro, ele repete sucessivamente que nestes assuntos se limita a repetir a tradicional posição eclesial. Citando sobretudo o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, mas também os papas que o antecederam e os antigos Padres da Igreja, Francisco pretende tudo menos ser original nas suas posições. É verdade que, aqui como noutros temas, usa uma linguagem colorida e contundente, com grande impacto. Mas os conceitos de «destino universal dos bens» ou a «opção preferencial pelos pobres» são velhos princípios, há séculos proclamados pelo Magistério, e que resumem bem as posições deste Papa.

O segundo elemento é que Francisco não é, nem pretende ser, economista ou político. Nunca discute modelos, medidas, estratégias. Aliás, o actual papa nem sequer tem o marcado pendor teórico e teológico de alguns dos seus antecessores. É, acima de tudo, um pai e um pastor preocupado com o sofrimento dos mais necessitados. Ele trata de pobres, explorados, injustiçados, não de partidos, ideologias e movimentos.

O que tudo isto significa é que a única forma razoável de interpretar as declarações económicas do Papa é com intenção religiosa. Ele anuncia Jesus Cristo e pretende converter corações. Por isso, as referidas afirmações das forças políticas, favoráveis ou hostis, são meros abusos ideológicos, aproveitando-se do magistério papal para fins alheios e, por vezes, inconfessáveis.