Padre Arménio – Músico. A sua relação com os órgãos de Aveiro [4]

No 20.º aniversário da Morte do Pe. Arménio

Padre Arménio – Músico. A sua relação com os órgãos de Aveiro [4]

Domingos Peixoto
  1. Uma formação profissional no Conservatório e na Universidade

          Aproveitando a criação do Conservatório Regional de Aveiro em 1960, o Pe. Arménio decide prosseguir e aprofundar a sua formação musical, juntamente com ilustres músicos da nossa praça: o maestro Mário Mateus, o pianista Armando Vidal e os violinistas Manuel Teixeira e António Duarte Neves[1]. Aí concluiu o curso geral de Composição (Harmonia) e as disciplinas de História da Música e Acústica em 1963, o curso geral de Piano (6.º ano) em 1964, e o 2.º ano do curso superior de Composição (Fuga) em 1967. Passados 16 anos (já enquanto professor), retomou o estudo da Composição e conclui o 3.º ano do curso superior (Sonata) em 1984 e,  o 4.º e último (Orquestração), em 1987. Tudo leva a crer que o Pe. Arménio tenha regressado ao estudo da Composição ao aceitar a nova missão que lhe foi dada pelo Prelado da Diocese: ser uma presença da Igreja na Universidade. Com efeito, sem um curso superior do Conservatório não tinha acesso ao curso de mestrado, a primeira fase da sua formação universitária.

          A leccionação da disciplina de Acústica (embora durante pouco tempo) tê-lo-á levado a aprofundar uma matéria essencial na reparação e construção dos órgãos, com a qual já se familiarizara durante os trabalhos realizados nos instrumentos das igrejas da Vera Cruz e da Glória. O Pe. Arménio leccionou História da Música e Composição (Harmonia) no Conservatório desde 1972 até 1991, ano em que se transferiu para a Universidade de Aveiro[2].

          São deste período os ciclos de conferências “A Música no seu tempo – Período clássico e barroco” (1983) e “A Música na sua época – Romantismo” (1984), realizados no Conservatório com uma numerosa e diversificada assistência.

          Remonta a 1995 a criação de um dos nossos mais prestigiados conjuntos vocais – o Coro de Santa Joana – de que foi o maestro-fundador. Acrescente-se que ficou a dever-se também ao Pe. Arménio o primeiro projecto da Escola de Música Litúrgica (posteriormente, EDMUSA), que abriu em 1994.

          Terminado o curso superior de Composição no Conservatório, o Pe. Arménio prosseguiu a sua preparação para a nova missão que lhe fora confiada, começando com o mestrado em Ciências Musicais, na Universidade de Coimbra (Faculdade de Letras), a que se seguiu o doutoramento em Música na Universidade de Aveiro, concluído em 24 de Julho de 1996.

          Pouco depois, é chamado a ‘desatar nós’ na jovem Secção Autónoma  (hoje Departamento) de Comunicação e Arte da nossa Universidade e, dois dias antes da morte, é aprovada pelo Conselho Científico da Universidade de Coimbra a sua contratação para leccionar no mestrado em Ciências Musicais da Faculdade de Letras[3]. Porém, os pensamentos de Deus não são os nossos e os seus caminhos também não (Is. 55-8). E a nova missão, apenas esboçada, foi abruptamente interrompida.

[1] O Pe. Valdemar também frequentou o Conservatório mas durante pouco tempo.

[2] Há uma imprecisão nas datas referidas em Sinfonia, que menciona 1973-1988.

[3] Sinfonia, p.222.

(Foto: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Universidade_de_aveiro_ua.jpg)