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XVIII Domingo do Tempo Comum :: Ano C
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O texto :: Lc 12,13-21
Breve comentário
Jesus está a falar aos seus discípulos mas é interpelado por alguém da multidão. Este pensa que Jesus é um dos tantos doutores da lei capaz de dirimir um aspecto da herança que em Israel não era muito clara e ainda menos justa. A lei era contrária à repartição do património fundiário; por isso, à morte do chefe de família, era o primogénito que herdava metade das terras e também dois terços dos bens móveis. As causas discutiam-se às portas das cidades, publicamente, com a participação do conselho dos anciãos, o encarregado do rei e as testemunhas, mas podia ser também ser solucionada por um perito da lei.

Jesus é um mestre, não da lei, mas da palavra de Deus. Não conhece as normas que regulam as partilhas mas conhece as normas que conduzem à sua realização equilibrada e feliz. A resposta não é dada apenas ao interlocutor mas a todos os presentes, aconselhando-os a afastarem-se da ganância que, no Novo Testamento, se aproxima da idolatria.

Os bens não ajudam a atingir melhor o objectivo da própria existência nem defendem de surpresas desagradáveis. São exteriores ao homem e não satisfazem as suas profundas aspirações, que são interiores. A tranquilidade e a segurança dum homem não dependem das suas posses, mesmo que abundantes. Quem se apoia nelas para uma vida feliz investe falsamente. A parábola que Jesus conta ilustra este conceito.

Com o acumular dos bens, o homem está convencido que assegurou a felicidade e uma longa vida. Mas revela-se «insensato» porque fez todas as contas mas omitiu a mais importante que é a escolha da hora da morte. Pensou em todos os outros dias menos no dia da morte. Agiu como se fosse senhor da sua vida como o era da sua colheita.

Jesus aconselha a «enriquecer para Deus». Trata-se de acumular bens que a morte não pode tirar: os bens do espírito, da rectidão, da justiça, da caridade.



P. Franclim Pacheco
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